HIPOTIROIDISMO
INTRODUÇÃO.
O Hipotireoidismo é uma síndrome clínica, causada por uma síntese, secreção insuficiente ou ação inadequada dos hormônios tireoidianos nos tecidos, resultando em alteração no metabolismo. Podemos classificar o hipotireoidismo em primário, secundário ou terciário. As formas secundária e terciária costumam ser agrupadas no conceito de "hipotireoidismo central". O hipotireoidismo primário representa > 90% dos casos, e é bastante comum.
FATORES DE RISCO.
Pacientes com idade > 65 anos, sexo feminino de 8:1 com sexo masculino, puerpério, história familiar, irradiação prévia de cabeça e pescoço, doenças autoimunes, certos medicamentos, síndrome de Down e Turner, dieta pobre em iodo e infecção crônica pelo HCV.
ETIOLOGIA.
As causa do hipotireoidismo classifica de acordo com área afetada. A tireoidite de Hashimato é a causa mais comum de hipotireoidismo. Trata-se de uma doença autoimune assintomática nos primeiros meses ou anos de sua instalação, mas que lentamente destrói o parênquima glandular. Em áreas suficientes de iodo, depois de Hashimoto, a etiologia mais frequente em adultos passa a ser a iatrogênica. O uso de drogas "tireotóxicas" (com destaque para a amiodarona e o lítio) e a tireoidite pós-parto são outras causas bastante encontradas na prática. Em áreas com baixo aporte de iodo a dieta é a causa mais comum de hipotireoidismo é a carência nutricional.
O Hipotireoidismo central tem como causas mais prevalente em adultos os tumores hipofisários. A necrose hipofisária que pode surgir no contexto de hemorragias pós-parto graves (síndromes de Sheehan) é outra causa clássica. Em crianças, a causa mais frequente é o craniofaringioma, um tipo especial de tumor hipofisário.
SINAIS E SINTOMAS.
Quanto maior a duração e a intensidade da carência hormonal, mais graves e numerosas serão as alterações. Os sintomas mais frequentes, cansaço, pele seca, intolerância ao frio, perda de cabelo, dificuldade de concentração, depressão, amnésia, constipação, ganho de peso com pouco apetite, rouquidão. Sinais como, pele seca, fria e grossa, edema facial, edema de mãos e pés, alopecia difusa, madarose lateral, hipertensão e outros.
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL.
Hipotireoidismo Primário = Caracteriza-se por TSH elevado e T4 livre baixo. O T3 também se encontra reduzido, mas não é habitualmente dosado.
Hipotireoidismo Central = O TSH encontra-se baixo ou inapropriadamente normal, em face de um T4 livre que está sempre baixo. O próximo passo após a confirmação do hipotireoidismo central é a realização de uma RNM da sela túrcica, para pesquisa de doenças que justifiquem este achado (tumor, lesão infiltrativa etc.).
Anticorpos Antitireoglobulina e Antiperoxidase = Sua presença indica um processo autoimune, quase sempre, como vimos, a tireoidite de Hashimoto.
TRATAMENTO.
Consiste na administração de dose única diária de Levotiroxina (T4), de preferência pela manhã e com estômago vazio (uma hora antes do café), ou duas horas após a alimentação. A dose a ser administrada varia de acordo com o peso do paciente, idade e presença de comorbidades. A dose inicial para um adulto jovem saudável é de 1,6 a 1,8ug\Kg\dia. Em pacientes com mais de 60 anos de idade, a dose inicial é de 50ug\dia, e nos pacientes com cardiopatia grave, a dose inicial deve ser de 12,5 - 25ug\dia, com incrementos de 12,5ug a cada 2-3 semanas. Doses elevadas de levotiroxina nestes indivíduos podem precipitar isquemia miocárdica. A maioria dos doentes submetidos à tireoidectomia total e subtotal necessitará de reposição de levotiroxina, assim como indivíduos submetidos à radioablação.
Iniciado o tratamento, devemos dosar o TSH após quatro a seis semanas. No caso de hipotireoidismo central, o controle da dose de levotiroxina deve ser feita pelos níveis de T4 livre no sangue. Uma vez atingida a dose de manutenção, a reavaliação da função tireoidiana pode ser feita a cada 6 ou 12 meses. A Levotiroxia é mais bem absorvida à noite, momento em que seria necessária uma dose menor do hormônio. No entanto, a administração noturna de levotiroxina pode causar insônia grave, devido ao pico plasmático que ocorre logo após sua administração. Por tal motivo, costuma-se prescrever o medicamento pela manhã e em jejum (para reduzir a ligação às proteínas alimentares).
Os principais efeitos adversos correlacionam-se a um excesso de hormônio. O paciente apresenta sinais e sintomas de tireotoxicose, como taquicardia, palpitações, arritmias, elevação da pressão arterial e osteoporose.

